Dhole (Cuon alpinus)

Classe: Mammalia

Ordem: Carnivora

Família: Canidae

Características gerais

O dhole, também conhecido como cão selvagem asiático, é um predador social do Sudeste Asiático, Índia, China e Rússia. É menor que o lobo cinzento, medindo entre 50 e 70 cm de altura no ombro e pesando entre 10 e 20 kg, mas sua força e resistência impressionam devido à estrutura muscular ágil e pernas longas.

Possui pelagem curta em tons de vermelho‑amarelado ou marrom-avermelhado, com extremidades mais escuras em patas e orelhas. A cauda é espessa e longa, ajudando no equilíbrio durante a caça.

Biologia e comportamento

Dholes são animais extremamente sociais, vivendo em bandos de 5 a 12 indivíduos, mas podem formar grupos maiores quando há abundância de presas. A caça é cooperativa e altamente organizada: os membros cercam e perseguem presas como cervos e javalis, aumentando a eficiência do ataque.

A comunicação é variada e inclui gritos estridentes, guinchos e grunhidos, permitindo coordenação durante a caça. Sua dieta é carnívora e muito diversificada, incluindo mamíferos de médio porte, aves e ocasionalmente anfíbios.

Ameaças

O dhole está classificado como Em Perigo, sofrendo com:

  • Perda e fragmentação de habitat devido à expansão agrícola e infraestrutura.

  • Perseguição direta por humanos, muitas vezes por conflitos com pecuaristas.

  • Redução de presas naturais por caça e competição com predadores introduzidos.

  • Doenças transmitidas por cães domésticos.

Papel ecológico

Os dholes são predadores-chave nos ecossistemas asiáticos. Regulam populações de cervos, javalis e outros herbívoros, prevenindo superpopulação e degradação da vegetação. A caça cooperativa mantém a biodiversidade e influencia a distribuição de espécies na floresta.

Experiência pessoal

O encontro que tive com dholes foi um marco incrível, mas também muito, muito perigoso. Estava em uma das regiões do Parque Nacional de Khao Yai, caminhando pela floresta, e parei alguns metros de um lago — sempre mantendo distância mínima de 10 metros por causa do risco de crocodilos.

De repente, ouvi grunhidos fortes e um barulho de quebra-pau vindo da mata. Pensei: “algo grande está chegando”. Escondi-me atrás de uma moita e senti aquele frio na barriga de medo. Um cervo apareceu correndo e pulou na água com velocidade impressionante. Na minha mente pensei: “Aqui pode ter tigre, pode ter urso. Ferrou”.

Então, apareceu um animal laranja correndo, e meu primeiro instinto foi acreditar que era um tigre. Meu coração disparou, comecei a tremer. Mas rapidamente percebi que o animal era menor. Em poucos segundos, vieram 1, 2, 3, 4, 5, 6 — seis dholes surgiram, fazendo grunhidos estridentes. Fiquei paralisado, observando: era um bando caçando um cervo.

A sensação foi surreal: consegui ver de perto um animal que é muito difícil de encontrar na natureza, e ao mesmo tempo, estava completamente vulnerável, sozinho, diante de predadores altamente eficientes. Foi um momento que misturou fascínio e respeito absoluto pelo poder e organização desses canídeos asiáticos.

Dhole

(Cuon alpinus)