
Esquilo-cinzento (Sciurus carolinensis)
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Sciuridae
Características Físicas
Coloração: Pelagem predominantemente cinzenta, podendo apresentar tons acastanhados nos flancos e patas; ventre mais claro.
Cauda: Longa, volumosa e felpuda, usada para equilíbrio, comunicação visual e isolamento térmico no frio.
Tamanho e peso: Maior e mais robusto que o esquilo-vermelho europeu, com peso médio entre 400 e 600 g.
Agilidade: Extremamente ágil; consegue rotacionar as patas traseiras, permitindo descer troncos de árvores de cabeça para baixo com facilidade.
Biologia e Reprodução
Habitat: Original da América do Norte, adapta-se facilmente a florestas de folha caduca, parques urbanos, jardins e áreas rurais na Europa.
Reprodução: Geralmente apresenta dois picos reprodutivos anuais (inverno e verão). A gestação dura cerca de 44 dias, com ninhadas de 2 a 4 crias.
Ninhos: Constrói ninhos de folhas e galhos (conhecidos como dreys) ou utiliza cavidades naturais em troncos de árvores.
Dieta: Onívoro oportunista — consome sementes, nozes, frutos, rebentos, fungos e, ocasionalmente, insetos e ovos de aves.
Comportamento
Atividade: Diurno, com maior atividade ao amanhecer e no fim da tarde. Não hiberna, mas reduz a atividade em períodos de frio intenso.
Armazenamento de alimento (scatter-hoarding): Enterra milhares de sementes individualmente para consumo futuro. Possui excelente memória espacial e olfato apurado, recuperando alimentos mesmo sob a neve.
Comunicação: Usa vocalizações variadas e movimentos rápidos da cauda para alertar sobre predadores ou sinalizar interações sociais e reprodutivas.
Inteligência: Demonstra comportamentos estratégicos, como fingir enterrar comida quando percebe que está sendo observado por competidores.
Impacto Ecológico
O esquilo-cinzento é considerado uma das espécies invasoras de maior impacto na Europa. Seu principal efeito negativo é a competição direta com o esquilo-vermelho nativo (Sciurus vulgaris).
Competição por recursos: É mais robusto, adapta-se melhor a diferentes tipos de alimento e se reproduz com maior eficiência, levando ao declínio das populações nativas.
Doenças: Transmite o vírus da varíola dos esquilos (Squirrelpox), letal para os esquilos-vermelhos, mas inofensivo para os cinzentos.
Impactos florestais: Consome grandes quantidades de sementes e pode prejudicar a regeneração natural das florestas.
Ambientes urbanos: Pode causar danos a jardins, telhados e infraestruturas, além de competir com aves e outros pequenos mamíferos.
Vivência Pessoal
Ao chegar à Europa, minha primeira reação ao ver tantos esquilos-cinzentos foi pensar: “Que coisa mais fofa!”. Eles se aproximavam facilmente, pareciam curiosos e estavam por toda parte — de parques urbanos a áreas montanhosas, de Londres a Edimburgo.
Com o tempo e a pesquisa, veio a virada de chave: aquela espécie aparentemente inofensiva representa um grave problema ecológico. Descobrir o impacto direto sobre os esquilos-vermelhos e sobre os ecossistemas florestais mudou completamente minha percepção.
Observar o esquilo-cinzento é uma lição poderosa de ecologia: uma espécie altamente eficiente e “bem-sucedida” pode causar desequilíbrios profundos quando introduzida fora de seu ambiente natural. Essa experiência reforçou em mim a importância da informação, da educação ambiental e da responsabilidade humana — boas intenções, quando desconectadas do contexto ecológico, podem gerar consequências sérias e duradouras.
Esquilo-cinzento
(Sciurus carolinensis)


