Gato-maracajá (Leopardus wiedii)

Classe: Mammalia

Ordem: Carnivora

Família: Felidae

Características gerais

O gato-maracajá é um felino de porte médio, considerado um dos mais ágeis e adaptados à vida arbórea nas Américas. Mede entre 45 e 80 cm, com uma cauda longa que atua como contrapeso durante saltos acrobáticos. Seu pelo apresenta manchas escuras em rosetas alongadas, padrões que lembram os de outros felinos neotropicais, mas com um desenho próprio.

Possui olhos muito grandes — proporcionalmente os maiores entre os felinos das Américas — uma adaptação para atividade noturna e ambientes de baixa luminosidade.

Biologia e comportamento

Habitat: florestas densas, Mata Atlântica, florestas tropicais e áreas bem preservadas.

Atividade: principalmente noturno e crepuscular.

Locomoção: excepcionalmente bom em subir, descer e saltar entre árvores. Consegue descer troncos de cabeça para baixo.

Alimentação: aves, roedores, pequenos primatas, anfíbios e insetos.

Reprodução: gestação de ~80 dias, geralmente com 1–2 filhotes.

Ameaças

  • Fragmentação e desmatamento florestal.

  • Atropelamentos.

  • Caça e tráfico de fauna.

  • Redução de presas naturais em áreas degradadas.

Papel ecológico

  • Controla populações de pequenos vertebrados.

  • Mantém o equilíbrio da cadeia alimentar.

  • Indica ambientes bem preservados por depender de florestas contínuas.

Vivência pessoal

Minha vivência com o gato-maracajá também aconteceu no IPRAM, e foi marcante. Era um dos primeiros felinos de vida livre que eu via de perto, e lembro exatamente da sensação: “Caraca… que animal incrível!”. Ele havia sido atropelado e chegou para reabilitação — um processo difícil, delicado e cheio de detalhes.

De início, por causa das fraturas, ele precisou ficar imobilizado dentro de uma caixa de contenção, com tala e gesso, para impedir movimentos e permitir a consolidação óssea. Era uma fase crítica, em que qualquer movimentação inadequada poderia comprometer a recuperação. Só depois que ele apresentou melhora e pôde retirar a tala é que avançamos para a etapa seguinte.

Quando finalmente pôde sair da imobilização, ele foi transferido para o recinto externo, e aí começou um novo processo: preparar um ambiente que mantivesse ao máximo seus comportamentos naturais. Montamos o recinto com muitos galhos, troncos, plataformas, esconderijos e barreiras visuais, além de oferecer estímulos que incentivassem ele a se movimentar e recuperar força muscular, também fazíamos de tudo para evitar imprint ou qualquer aproximação excessiva com humanos.

Como ele havia sido atropelado, era essencial ajudá-lo a readquirir mobilidade e confiança. Ver ele escalando novamente — primeiro com cautela, depois com firmeza — era como acompanhar pequenas vitórias todos os dias.

Foi muito especial ver a evolução desse animal, que chegou tão vulnerável e aos poucos retomou sua postura selvagem. Acompanhar essa recuperação até que ele estivesse pronto para voltar à natureza é o tipo de experiência que marca a gente profundamente. E mostra, na prática, por que vale a pena cada detalhe do trabalho de reabilitação.

Gato-maracajá

(Leopardus wiedii)