
Pato‑real (Anas platyrhynchos)
Classe: Aves
Ordem: Anseriformes
Família: Anatidae
Características gerais
O pato‑real é um pato de porte médio, com corpo robusto e bico largo e achatado, adaptado para forrageio em águas rasas. Adultos medem aproximadamente 50 a 65 cm de comprimento e têm envergadura entre 82 a 95 cm.
Há dimorfismo sexual bem marcado:
Machos têm cabeça verde‑iridescente, garganta branca, peito castanho‑aveludado e corpo acinzentado. Também exibem a típica mancha azul‑violácea nas asas (espelho alar).
Fêmeas têm plumagem acastanhada/marboleada — mais discreta, o que ajuda na camuflagem durante a nidificação.
O pato‑real é omnívoro e onipresente em ambientes de água doce: lagos, rios, pântanos, lagoas, áreas úmidas e até zonas urbanas com corpos d’água.
Biologia e comportamento
Alimentação: realiza o chamado “dabbling” — bica a superfície da água ou esmaga vegetação aquática. Come plantas aquáticas, sementes, insetos, pequenos invertebrados e organismos aquáticos. Também pode se alimentar em terra de grãos e plantas.
Reprodução: em geral formam casais na época reprodutiva; a fêmea faz ninho no solo, em depressões com vegetação ou próximo à água, com 8 a 13 ovos. A incubação dura cerca de 27–28 dias. Após eclodirem, os filhotes já podem nadar com poucas horas de vida.
Comportamento social: pato‑real tolera ambientes alterados, sendo frequentemente visto em parques urbanos, lagoas artificiais e canais. Isso mostra sua capacidade de adaptação a paisagens antropizadas.
Ameaças e desafios
Embora globalmente seu status de conservação seja “Pouco Preocupante” (Least Concern) — graças à sua adaptabilidade e ampla distribuição — ele enfrenta desafios que podem afetar populações locais:
Poluição e degradação de zonas úmidas: contaminação da água, drenagem de pântanos e destruição de habitats aquáticos reduzem áreas adequadas para alimentação e reprodução.
Perda de áreas naturais e expansão urbana: tam bém afeta os locais tradicionais de nidificação ou descanso.
Hibridização com patos domésticos: por ser ancestral da maioria das raças de patos domésticos, há risco de “poluição genética” onde populações selvagens e domésticas se misturam, o que pode afetar a diversidade genética de populações locais.
Distúrbios humanos: alimentação indevida, poluição, caça (onde permitida), e interferência em ninhos podem reduzir sucesso reprodutivo ou induzir estresse.
Papel ecológico
O pato‑real desempenha papéis ecológicos importantes:
Ajuda na dispersão de sementes e matéria vegetal ao consumir plantas aquáticas e transportá-las, contribuindo para a dinâmica de vegetação de zonas úmidas.
Atua no controle de insetos aquáticos e invertebrados, regulando parte da fauna de água doce.
Por sua adaptabilidade, funciona como espécie‑indicadora da saúde de ambientes úmidos — se houver populações saudáveis de patos‑reais, é provável que o ecossistema aquático esteja relativamente íntegro.
Observações sobre convivência com humanos
Por viver bem próximo a espaços urbanos — parques, lagoas, canais — o pato‑real é um dos mais vistos por pessoas que frequentam áreas verdes. Isso facilita o contato, mas também demanda responsabilidade: evitar dar alimento inadequado, respeitar ninhos e evitar alterações nos habitats. A coexistência depende de cuidado e consciência ambiental.
É triste ver como esses animais associam a presença humana exclusivamente à comida, abandonando seu comportamento natural. Mas qual o problema disso? Eu explico: essa dependência altera o metabolismo da espécie, retira sua autonomia e os expõe a doenças e perigos que eles não encontrariam se mantivessem seus hábitos de forrageamento selvagem.
Isso compromete a saúde física e o instinto de sobrevivência. Ao depender de humanos, os patos muitas vezes consomem alimentos ultraprocessados, como pão, que causam a 'asa de anjo' — uma deformidade incurável que os impede de voar. Além disso, eles param de forragear por nutrientes essenciais encontrados na natureza. Quebra o ciclo natural de migração e controle populacional. Quando os patos perdem o medo de humanos e encontram comida fácil, eles podem deixar de migrar, tornando-se vulneráveis a invernos rigorosos ou predadores urbanos, além de causarem a superpopulação de espelhos d'água, o que degrada a qualidade da água local.
Gera uma dependência perigosa. A domesticação informal faz com que percam o medo natural de predadores (incluindo cães e humanos mal-intencionados) e fiquem agressivos entre si por recursos artificiais, transformando um animal selvagem em um pedinte vulnerável.
Eu sei que alimentar pode ser uma forma de demonstrar carinho e conexão com a natureza... Mas a maior prova de respeito que podemos dar é permitir que eles vivam de forma selvagem e independente.
Pato‑real
(Anas platyrhynchos)


