
Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
Classe: Mammalia
Ordem: Pilosa
Família: Myrmecophagidae
Características gerais
O tamanduá-bandeira é um dos mamíferos mais emblemáticos do Brasil e da América do Sul. De corpo comprido, pelagem densa e uma cauda imensa que lembra uma bandeira — de onde vem seu nome — ele pode ultrapassar 2 metros de comprimento.
Possui um focinho longo e tubular, que abriga uma língua impressionante, capaz de alcançar até 60 cm, adaptada para capturar cupins e formigas com rapidez.
Apesar do tamanho, é um animal de temperamento calmo, mas extremamente forte. Pode se apoiar nas patas traseiras e usar as garras das patas dianteiras para defesa, causando ferimentos sérios em predadores.
Biologia e comportamento
Habitat: Cerrado, Pantanal, campos abertos, bordas de florestas e áreas de transição.
Atividade: Geralmente solitário; ativo principalmente ao amanhecer e ao entardecer.
Alimentação: Cupins, formigas e larvas — podendo visitar dezenas de cupinzeiros por dia.
Reprodução: Gestação de cerca de 190 dias; nasce um único filhote, que costuma andar nas costas da mãe.
O tamanduá é um animal essencial para o equilíbrio dos ecossistemas, controlando populações de insetos e aerando o solo enquanto perfura cupinzeiros.
Ameaças
Destruição de habitat e queimadas.
Atropelamentos — uma das principais causas de morte da espécie.
Ataques de cães domésticos.
Intoxicação por agrotóxicos: ao se alimentar de cupins e formigas contaminadas, muitos tamanduás desenvolvem quadros graves de intoxicação, que afetam seu sistema nervoso e digestivo.
Expansão agrícola e fragmentação de ambientes é uma das principais ameaças.
Papel ecológico
Controla naturalmente populações de insetos.
Auxilia na manutenção estrutural de cupinzeiros.
Contribui para ciclagem de nutrientes no solo.
É um importante bioindicador — sua presença significa que o ambiente ainda conserva equilíbrio ecológico.
Vivência pessoal
Minha primeira experiência marcante com um tamanduá-bandeira aconteceu no monitoramento realizado no Mato Grosso do Sul, durante um trabalho com o projeto ICAS, que acompanha a movimentação de fauna silvestre usando transmissores especiais.
Foi um momento que me marcou profundamente, porque ver um tamanduá-bandeira em vida livre, no habitat natural dele, é algo que mexe com você.
Tive a oportunidade de trabalhar três vezes com esses monitoramentos. A equipe era incrível, muito acolhedora, muito dedicada — e a sensação de estar ali, no campo, observando um animal tão simbólico e tão ameaçado, foi indescritível.
E ao mesmo tempo que era especial, também era doloroso perceber o impacto humano ao redor. Muitas áreas estavam cercadas por plantações tratadas com agrotóxicos, e isso tem um efeito direto na espécie. Os tamanduás se alimentam de muitos insetos que sofrem com o impacto do agrotóxico, e muitos acabam intoxicados, alguns nem chegam às equipes de resgate. Outro grande problema é o atropelamento, ao longo das minhas viagens ao mato grosso do sul, perdi a conta de quantos animais vi atropelados desde onças, antas, o próprio tamanduá..
Ver esse contraste entre a beleza do encontro e a realidade do risco reforça o quanto cada indivíduo encontrado é uma vitória. Ainda mais com a existência de um Tamanduá-bandeira albino!! O tão querido e simbólico, Alvinho. Que tive o privilégio de ver de perto!
E cada tamanduá que conseguimos monitorar, acompanhar, ou simplesmente observar seguindo sua vida… é um lembrete do porquê esse trabalho importa tanto.
Tamanduá-bandeira
(Myrmecophaga tridactyla)


