
Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla)
Classe: Mammalia
Ordem: Pilosa
Família: Myrmecophagidae
Características gerais
O tamanduá-mirim, também conhecido como tamanduá-de-colete, é um mamífero de médio porte encontrado em grande parte da América do Sul. Mede entre 50 e 90 cm, com uma cauda preênsil tão longa quanto o corpo, permitindo que se pendure e se equilibre em galhos. Seu pelo amarelado com manchas escuras — o famoso “colete” — é uma de suas características mais marcantes.
Possui garras grandes e fortes, focinho alongado e uma língua fina e pegajosa que pode chegar a 40 cm, ideal para capturar formigas e cupins.
Biologia e comportamento
Habitat: florestas tropicais, cerrados, campos e matas ciliares.
Atividade: geralmente noturno e crepuscular.
Alimentação: formigas, cupins e larvas.
Defesa: ergue-se sobre as patas traseiras, abrindo os braços e usando as garras afiadas.
Reprodução: um filhote por gestação, que permanece meses agarrado à mãe.
Ameaças
Atropelamentos (impacto frequente).
Perda e fragmentação de habitat.
Queimadas.
Ataques de cães domésticos.
Papel ecológico
Mantém o equilíbrio populacional de insetos.
Auxilia na dinâmica de ecossistemas de mata e savana.
Vivência pessoal
A primeira vez que vi um tamanduá-mirim de perto foi no IPRAM, no centro de reabilitação. E a experiência não foi apenas emocionante — foi um choque de realidade sobre como é extremamente difícil reabilitar um animal desses para a soltura.
No começo, a alimentação dele era totalmente dependente da equipe: nós preparávamos papas específicas, usando um sucedâneo formulado para atender exatamente as necessidades nutricionais da espécie. Era um trabalho minucioso, porque qualquer erro compromete o desenvolvimento e a adaptação.
Com o tempo, chegava a fase mais desafiadora: ensinar o tamanduá a voltar a comer cupins — algo essencial para a sobrevivência dele na natureza.
E aí começava a saga:
A gente ia para a mata, literalmente, catar cupins.
Abríamos cupinzeiros — sempre com muito cuidado para não danificar grandes estruturas.
Levávamos pedaços para o recinto, para ele aprender a forragear sozinho.
E quase toda vez saíamos com o braço cheio de picadas, porque coletar cupim nunca é uma tarefa tranquila.
Era cansativo, trabalhoso e às vezes até dolorido. Mas ver o animal aprendendo, reagindo, ficando mais independente, é aquilo que faz tudo valer a pena.
Foi no IPRAM que percebi que reabilitar fauna não é só resgatar: é reconstruir habilidades, respeitar o tempo de cada indivíduo e preparar, passo a passo, um animal para ter de volta o que é seu por direito — a vida livre.
Tamanduá-mirim
(Tamandua tetradactyla)


